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28/01/2013

Esclerose Múltipla é degenerativa ?

Posted By: Vania Regina - 05:11

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O título desse artigo vem mais tentando responder a uma grande inquietação de quem convive ou deseja conviver com pessoas Portadoras de E.M. Na verdade confesso que essa pauta fiz pensando em um amigo que ficou aturdido ao saber da minha patologia, e sua principal preocupação parecia residir na característica “degenerativa” que ele destacou ao confirmar que já tinha ouvido falar da doença. Foi como se pensasse em minha condenação de morte. O que não me surpreendeu pois já tinha passado por situações anteriores semelhantes.

É compreensível que as pessoas se sintam alarmadas quando são informadas que você tem um processo inflamatório, e o pior de tudo, no cérebro, e se não bastasse, degenerativo e mais, sem cura. Haja coração nos ouvintes. Bom, mas como já falamos nos artigos anteriores o quadro não é assim cinza como os que estão de fora pintam. Mas, quem vai convencer nosso público disso, só a convivência conosco, portadores, para mostrar ao mundo que somos mais felizes do que eles imaginam. Às vezes penso que se faltou vitamina D, sobrou em nós Portadores, força para vencer e não se entregar aos “imprevistos” de nossa jornada.


Formas da Esclerose Múltipla


Antes de tudo é interessante lembrar que a Esclerose Múltipla se manifesta de quatro formas distintas, podendo estas variar ao longo da vida do paciente.

A forma Remitente-Recorrente ou Surto-Remissiva é a que predomina entre os portadores, caracteriza-se pela manifestação de sintomas, chamados surtos, que levam dias ou semanas para desaparecerem.

A Progressiva-Primária é quando o quadro progressivo é contínuo desde seu surgimento, acumulando ou agravando sequelas ao longo dos anos.

A Progressiva-Secundária é o avanço da forma Surto-Remitente para uma manifestação lenta e progressiva de piora. Por exemplo, a fraqueza nas pernas que ocorria só em alguns movimentos, pode, ao longo dos anos, chegar a demandar uso de bengalas ou cadeira de rodas.

A forma Progressiva-Recorrente é a união da Progressividade acompanhada de surtos, apresentando evidente evolução das incapacidades desde o surgimento da doença.

Infelizmente é impossível identificar de imediato qual a forma de E.M. do paciente, somente ao longo do tempo os médicos poderão obter essa definição, através da observação de evolução vivenciada e descrita pelo paciente. Mesmo assim, com o tempo a forma evolutiva pode mudar, como dito acima, o tipo Surto-Remissivo pode posteriormente passar a Progressiva-Secundária.
Por isso é importante que qualquer percepção de piora deve ser sempre notificada ao médico que acompanha o tratamento do paciente, já que baseado em exames e anamnese ele irá direcionar a mudança ou não de terapêutica, com vistas a retardar o agravamento e evitar sequelas.


Degenerativa?


O processo de desmielinização se trata da esclerosamento (endurecimento) da camada de proteção dos neurônios (mielina). A maioria da população, cerca de 70%, desconhece o que é ou os sintomas da Esclerose Múltipla. Muito menos ainda entendem como se dá a doença e sua evolução. Quando se informa a um totalmente leigo que a E.M. é generativa, a tendência é ele logo pensar que o cérebro todo passa a definhar, levando o portador a um rápido estado vegetativo. Mas, nós sabemos que não é assim, na verdade a maioria dos pacientes conseguem viver uma vida normal ao se submeter ao tratamento corretamente.


Quando ocorre um surto, onde o sistema imunológico ataca a mielina em uma determinada área, a sequela pode ser reversível ou não. Geralmente quando uma sequela se dá na medula espinhal ela é permanente, sendo a principal causadora da situação de cadeirante. Porém, uma sequela na visão, por exemplo, uma cegueira que ao longo do tempo desaparece, demonstra  a regeneração natural da área afetada. Isso acontece porque o único produtor de mielina conhecido é o corpo humano, não existindo sua produção artificial, apenas medicamentos que modulam a atuação imunitária do organismo. Quando ocorre essa regeneração é deixada uma cicatriz, que pode ser representada, como uma “pedrinha” no caminho da comunicação cerebral, já que o fluxo das informações (sinapses) passam a fluir com obstáculo.


Quando ocorre uma rotina contínua de surtos e piora dos sintomas anteriormente existentes, como acontece a partir da forma Primariamente Progressiva, é gerado um quadro geral de agravamento progressivo, ocasionada pelo acúmulo de recorrentes cicatrizes debilitando a comunicação no sistema nervoso central. Nesses casos a doença é considerada degenerativa. Por isso é importante o início imediato tratamento para retardar o avanço ou piora da patologia.


Abaixo compartilho um vídeo onde se pode perceber que é possível viver uma vida normal, mesmo passando pelos altos e baixos da E.M. Hoje os medicamentos disponíveis alcançam eficiência de 70% no tratamento, e a previsão é que em breve esse número chegue a 92%, ou seja, dentro de pouco tempo a Esclerose Múltipla já não será motivo de limitação, preconceito nem mistérios. Sendo assim mesmo sendo hoje, de alguma forma considerada degenerativa, isso não é uma sentença de morte ou de invalidez, depende de você portador, se amar e se cuidar, valorizando sua vida e todos os recursos disponíveis. Além disso, temos Deus para quem nada é impossível, então tenhamos fé para prosseguir sempre! 




Fonte:  Esclerose Múltipla no Vida e saúde









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